terça-feira, 18 de agosto de 2015

FORMAÇÃO


Quem de nós, homens, nunca ouviu estas frases? “Pare de chorar menino! Homem não chora.”

Desde pequenos, somos condicionados a reter nossos sentimentos, principalmente as dores e angústias, sufocando-as em nosso íntimo. E, assim, inconscientemente, vamos encarnando, como uma verdade, que para sermos homens crescidos devemos desenvolver a insensibilidade aos sofrimentos próprios e, consequentemente, aos alheios também.


É verdade que homem não chora?

Mas quem disse que homem não chora? Chora, sim! E deve chorar quando necessário, quando sentir que a dor está transbordando do seu coração.

Em certas situações, realmente não fica bem, nem se espera de um homem que ele fique prostrado diante de um acontecimento. A natureza deu ao ser masculino maior potência muscular, além de características psíquicas de iniciativa, impulsividade, capacidade de responder de imediato ao que lhe é colocado como desafio, e outros aspectos, para que ele seja o primeiro a enfrentar os problemas (lançar-se no enfrentamento).

Desde pequenos somos tratados de forma mais firme, e isso é natural e perfeitamente aceitável.

Meninas brincam de casinha, que simboliza interação, cooperação, ambiente acolhedor e carinho. Aprendem balé ou dançam balançando seus vestidos para seus pais; e então ouvem elogios referentes à sua beleza e ao quanto são amadas. Nisso a sensibilidade delas é trabalhada e entendemos como: “elas têm direito” a demostrar fragilidades.

Meninos brincam de carrinhos, em que geralmente simulam acidentes e consertos, ou fantasiam uma aventura, quase sempre tendo ocasiões de luta. Perceba que são atividades que iniciam o pequeno a sair de si e enfrentar a vida, ou seja, a sociedade, a família e até os amigos moldam um homem por meio de desafios. Há a expectativa de que ele seja forte física e emocionalmente.

Portanto, ao ver uma mulher chorando, provavelmente iremos nos compadecer do seu sofrimento e será um tanto mais suportável vê-la prolongar sua lástima. Já no caso de um rapaz, talvez até aceitemos suas lágrimas por um tempo, mas, depois, ficaremos com aquela sensação de “Já deu! Agora levante-se e reaja!”.

O problema é quando nos fixamos num esteriótipo e tiramos o direito e a dignidade de um homem como pessoa, alguém com sentimentos, que não tem a obrigação de ser forte o tempo todo.

Realmente, esperamos que o homem se comporte diferente da mulher, que, se necessário, esteja preparado para tomar a frente e puxar a fila diante do fato desagradável. Mas, para isso, o homem precisa, principalmente num primeiro momento, chorar e pôr para fora sua dor.

Aliás, o primeiro estágio para se superar uma dificuldade, é admitir que fomos atingidos e o quanto esta contrariedade afetou nosso coração.

As lágrimas fazem parte desse processo. Primeiro, coloque para fora sua indignação e o impacto da má notícia, isso o ajudará a, depois, não reagir pela raiva ou impensadamente. O pranto contido se transformará em mágoa e ela ficará armazenada na alma, podendo gerar doenças e traumas que nos deixam cada vez mais insensíveis e intransigentes.

Enfim, chorar faz bem e não contratestemunha a masculinidade.







Sandro Arquejada

Sandro Aparecido Arquejada é missionário da Comunidade Canção Nova. Formado em administração de empresas pela Faculdade Salesiana de Lins (SP). Atualmente trabalha no setor de Novas Tecnologias da TV Canção Nova. É autor do livro “Maria, humana como nós” e “As cinco fases do namoro”. Também é colunista do Portal Canção Nova, além de escrever para algumas mídias seculares.
Fonte: Canção Nova
José Rogério B. de Souza
Sou Rogério, consultor comercial da Viggo Sistemas
Moro em Caicó-RN- Brasil
Diretor do Blog

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