sábado, 7 de março de 2015

#LECTIO DIVINA

Amor de misericórdia (Lucas 15, 1-3. 11-13)

“Certa ocasião, muitos cobradores de impostos e outras pessoas de má fama chegaram perto de Jesus para o ouvir. Os fariseus e os mestres da lei criticavam Jesus, dizendo:
_ Este homem se mistura com gente de má fama e toma refeições com eles.
Então Jesus contou esta parábola:
_ Um homem tinha dois filhos. Certo dia o mais moço disse ao pai: “Pai, que o senhor me dê agora a minha parte da herança.”
_ E o pai repartiu os bens entre os dois. Pouco dias depois, o filho mais moço ajuntou tudo o que era seu e partiu para um país que ficava muito longe. Ali viveu uma vida cheia de pecado e desperdiçou tudo o que tinha.

_ O rapaz já havia gastado tudo, quando houve uma grande fome naquele país, e ele começou a passar necessidade. Então procurou um dos moradores daquela terra e pediu ajuda. Este o mandou para a sua fazenda a fim de tratar dos porcos. Ali, com fome, ele tinha vontade de comer o que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. Caindo em si, ele pensou: Quantos trabalhadores do meu pai têm comida de sobra, e eu estou aqui morrendo de fome! Vou voltar para a casa do meu pai e dizer: Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho. Me aceite como um dos seus trabalhadores. Então saiu dali e voltou para a casa do pai.
Quando o rapaz ainda estava longe de casa, o pai o avistou. E, com muita pena do filho disse: “Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho!”
_ Mas o pai ordenou aos empregados: “Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Ponham um anel no dedo dele e sandálias nos seus pés. Também tragam e matem o bezerro gordo. Vamos começar a festejar porque este meu filho estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado.”
_ E começaram a festa.
_ Enquanto isso, o filho mais velho estava no campo. Quando ele voltou e chegou perto da casa, ouviu a música e o barulho da dança. Então chamou um empregado e perguntou: “O que é que está acontecendo?”
_ O empregado respondeu: “O seu irmão voltou para casa vivo e com saúde. Por isso o seu pai mandou matar o bezerro gordo.”
_ O filho mais velho ficou zangado e não quis entrar. Então o pai veio para fora e insistiu com ele para que entrasse. Mas ele respondeu: “Faz tantos anos que trabalho como um escravo para o senhor e nunca desobedeci a uma ordem sua. Mesmo assim o senhor nunca me deu nem ao menos um cabrito para eu fazer uma festa com os meus amigos. Porém esse seu filho desperdiçou tudo o que era do senhor, gastando dinheiro com prostitutas. E agora ele volta, e o senhor manda matar o bezerro gordo!”
_ Então o pai respondeu: “Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é seu. Mas era preciso fazer esta festa para mostrar a nossa alegria. Pois este seu irmão estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado.”

No Evangelho de hoje, Jesus conta a parábola do Pai misericordioso. Vamos pedir a Ele que nos deixemos nos braços desse Pai.pai-misericordioso
A situação na qual ele contou é fundamental para compreendermos onde queria chegar. As pessoas de má fama estava perto dele, ouvindo-o. Os fariseus e mestres da lei, criticando, mantinham distância. Nesta postura, quem estava longe?
Os dois filhos, em casa, viviam numa distância do pai. Não conheciam quem era aquele pai, seu coração, seu amor. O filho mais novo deixou isso escancarado e se mandou. Foi buscar alegrias e amores em outro canto. Longe do pai, gastou tudo, todos os bens que havia recebido dele, todos os dons. Viu-se sem nada e faminto.
Os porcos são animais impuros para os judeus. A comida dos porcos era o mais baixo que um judeu poderia imaginar, quase inconcebível. Pois é, diante da fome, o jovem até comeria isso, mas nem isso conseguia.
Caiu em si, mas dando-se conta da própria carência, quando chegou no extremo da carência. E às vezes é isso o que acontece: a gente chega num ponto que fala: “Meu Deus, a que ponto eu cheguei!”
Mas ele em nenhum momento pensou no pai.
E a pergunta que fica é: O que esse pai não deve ter sentido esse tempo todo, ainda mais com a crise que já estava na região! “Meu filho, meu filho, meu filho!”, todos os dias.
Pai, o que você não deve sentir por mim ao me ver nessa situação?
O filho mais novo e o filho mais velho eram centrados em si. Os pecadores e os mestres da lei eram centrados em si. Mas o centro da parábola de Jesus – o centro da sua vida e pregação – é o Pai. Um Pai que dá tudo; um Pai que ama em liberdade; um Pai que sofre e espera; um Pai que acolhe de volta, mesmo que quem volte ainda não tenha entendido nada; um Pai que faz festa porque tudo o que deseja é a Vida plena dos filhos – todos os filhos; um Pai misericordioso, que diz: “Você é precioso aos meus olhos, é digno de estima e eu te amo.” (Is 43,4)
O filho mais velho não quis entrar na festa. O irmão não o tocou, sequer o Pai o tocou. Os mestres da lei não quiseram acolher a novidade do amor de Deus anunciado por Jesus – um Deus que é Pai, Pai de todos.
E eu, entro? Acolho este amor que não me dá mais privilégios se sou da Igreja e não me dá menos por meus deslizes, um amor gratuito? Acolho a misericórdia, na profundidade capaz de deixar-me transformar e também eu querer a vida plena dos meus irmãos – todos eles –, buscá-los com Jesus, O Filho, e fazer festa com o Pai ao seu retorno?
Que o Espírito nos dê a abertura de coração para deixar-nos alcançar pela misericórdia do Pai, entrar em sua festa e centrar nossa vida em Seu amor.

Tania Pulier

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