quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A depressão é uma doença, um mal a ser resolvido


A depressão é uma doença, um mal a ser resolvido

A depressão, doença tão comum em nossos dias, está envolvida por muitos mitos como acontece com várias outras doenças que envolvem o sentimento das pessoas. Aqui queremos desmistificar alguns deles (1 Cor 13,5).

Um mal a ser resolvido

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com
depressão não é uma manifestação de caráter imperfeito ou de fraqueza humana, mas sim uma doença grave. Portanto, todos estamos sujeitos a ficarmos deprimidos. A depressão não é apenas um mau dia, não é simplesmente acordar mau humorado.
Outro mito que afasta as pessoas de procurar ajuda e as afasta mais ainda de buscar oração e orientação espiritual diz respeito à fé: “Pessoas de fé não ficam deprimidas”. Se pessoas profundamente religiosas, e até mesmo com dom de cura, são vítimas de pressão alta, resfriados, esclerose e outras tantas doenças, por que não podem ficar deprimidas, se a depressão é uma doença? Portanto, pessoas que possuem uma crença e um relacionamento íntimo com Deus também ficam deprimidas. O que ocorre com muita frequência é um esfriamento desse relacionamento com Deus, porque é próprio da depressão levar a uma dificuldade de concentração, a um sentimento de indignidade, imobilizando, dessa forma, várias áreas da nossa vida, inclusive a fé.
São três os fatores que se entrelaçam e podem determinar o surgimento da depressão: a história familiar de pacientes depressivos revela que seus parentes sofrem ou sofreram de depressão, tornando-os predispostos a desenvolverem a doença; o estresse é uma força propulsora que, agrupado a outros fatores, pode desencadear a depressão; a tristeza, o peso das perdas e a solidão são fatores que, quando não bem elaborados, não expressados adequadamente, transformam-se em doenças, uma delas a depressão.
As principais características da depressão são: ruminação de pensamentos, sono conturbado, aumento ou diminuição do apetite, redução da capacidade de concentração, incapacidade de encontrar prazer em atividades agradáveis, perda de energia, dores crônicas e sofrimento que parecem ter causa física, mas que não reagem ao tratamento, afastamento e isolamento social.

A importância do tratamento clínico

Devemos ter em mente que depressão é uma doença grave e precisa ser tratada. O psiquiatra é o profissional mais indicado para o tratamento, pelo fato de haver um desequilíbrio químico cerebral em muitos casos. O tratamento clínico acompanhado de psicoterapia se torna mais eficaz, pois a psicoterapia vai levar o paciente a desenvolver habilidades para combater o problema e suas angústias. Porém, é a perseverança na oração, mesmo nos momentos de maior aridez, que vão sustentar a pessoa deprimida e dar-lhe forças para enfrentar o tratamento.

Sendo o isolamento um fator desencadeante da depressão, uma das melhores formas de combate-la é evitar esse isolamento, buscando contato com pessoas que tenham significado em suas vidas, buscando atividades que possam ser úteis, ajudando outras pessoas necessitadas; ninguém é suficientemente ‘pobre’ que não tenha nada para dar ou suficientemente ‘rica’ que não necessite de carinho.
Concluindo, deixemos de lado os paradigmas de que a depressão só ataca pessoas fracas e sem fé. É obrigação nossa como seres humanos e cristãos estarmos sempre atentos para nossas reações físicas, pois o corpo fala, dá sinais de como está nossa saúde física, mental e espiritual. Fiquemos atentos! Fiquemos também atentos às pessoas que estão ao nosso redor e nos procuram. Elas podem estar sofrendo caladas, esperando uma abertura, nem que seja uma pequena fresta para colocarem seus sentimentos e suas dores. Não podemos nos esquecer do calor humano que se expressa por meio de dar as mãos, não só no sentido figurativo, mas no seu verdadeiro sentido de abraçar, acolher, acalentar, partilhar, conversar e compreender.
Mara Lourenço – Comunidade  Canção Nova

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